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Manutenção para evitar tragédias

No último dia 8 de fevereiro de 2019, o Brasil amanheceu diante de uma nova tragédia: um incêndio de proporções catastróficas atingiu um alojamento de jogadores de futebol das categorias de base do Flamengo e matou dez deles, no Rio de Janeiro. Os jovens, talentos promissores do futebol, tinham por volta de 14 anos e foram carbonizados.

O vice-governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, afirmou que a tragédia pode ter sido iniciada devido a uma pane no sistema de ar-condicionado do
local onde os jovens dormiam. A fatalidade chama a atenção para uma questão que jamais deve ser negligenciada pelos síndicos e gestores de condomínios: a importância da manutenção dos sistemas elétricos e de ar-condicionado.

Certifique-se da seriedade dos fornecedores A verdade é que qualquer tipo de instalação elétrica necessita da avaliação de profissionais capacitados, de manutenção e de um acompanhamento profissional e periódico, independentemente do tempo de construção da edificação. O alojamento do
Flamengo, por exemplo, que tinha uma estrutura moderna e interligada por
contêineres, havia sido erguido em 2014, apenas cinco anos atrás.

“Acho que uma das coisas principais é que temos que nos certificar de que os profissionais envolvidos na instalação e na manutenção sejam de uma empresa séria. Para isso, é preciso realizar uma pesquisa detalhada das empresas ou profissionais autônomos, vendo histórico e selos de segurança, pois é uma responsabilidade enorme para o síndico ter que fiscalizar os circuitos elétricos”, diz Victor Siqueira, dono de uma empresa carioca especializada na gestão e na manutenção de aparelhos e
sistemas de ar-condicionado.

Para o empresário, a importância de estar sempre atento a esses equipamentos é imprescindível para evitar a necessidade de reparos ou até mesmo da troca de aparelhos e acessórios antes do tempo de vida útil. “O risco de que ocorra um acidente em sistemas sem manutenção é altíssimo. Além disso, fazendo a manutenção preventiva, eliminamos diversos problemas que podem acarretar em tragédias, como foi o caso do Ninho do Urubu (como os torcedores chamavam o alojamento do time de futebol do Rio de Janeiro)”, corrobora o engenheiro Bruno Bivar, lembrando ainda que, no caso dos ares condicionados, com a manutenção em dia, são evitados diversos problemas, tais como consequências para a saúde dos usuários, perda da capacidade de gelar o ambiente e aumento dos ruídos
produzidos pelo aparelho.

E além de riscos de incêndio, a falta de manutenção dos sistemas de ar ou elétricos também pode acarretar em descargas de energia. E os sinais, muitas vezes, são sutis:
as luzes dos interruptores podem começar a apagar sem explicação, os aparelhos podem apagar ou desligar sem motivo, ou ainda, podem surgir pequenos chiados nos interruptores. É preciso estar atento. E quem anda bastante atento ao sistema elétrico do seu condomínio é o síndico André Wanick, do Condomínio Fontelas, em Copacabana, de 12 unidades. O sistema elétrico da portaria do edifício acabou de ser completamente substituído. Como o síndico percebeu?

“Primeiramente, notamos que havia algo errado quando as luzes começaram a queimar com bastante frequência. Trocávamos diversas vezes e elas continuavam queimando sem parar. Depois, começou a surgir aquela luz fraquinha que deixa o ambiente com um aspecto turvo, e além disso, as luzes coloridas dos aparelhos não acendiam direito. Obviamente, havia algum problema. Pedimos alguns orçamentos, e sem esperar, demos início ao reparo completo do sistema da portaria. Esse é o tipo de problema que não pode esperar, pois pode gerar consequências muito graves, como
por exemplo um incêndio repentino no instante em que um porteiro plugasse um aparelho de celular numa tomada. Imagine o quanto isso pode ser perigoso e trazer danos significativos a todos”, diz Wanick, que foi avisado pelo porteiro, e em apenas uma semana deu início à troca dos fios e do sistema.

A compra de novos aparelhos e fios e a prestação do serviço custaram por volta de R$2 mil, um valor irrelevante em comparação ao prejuízo (sob diversos aspectos) que um incêndio poderia trazer. “Quando se trata de um item de segurança, é óbvio que é preciso pesquisar o preço. No entanto, esse é um tipo de ajuste que precisa ser feito sem qualquer demora. Felizmente, eu consegui absorver o custo e incluí-lo no fundo do condomínio, sem gerar nenhuma cota extra aos moradores”, diz o síndico.

Fique atento aos prazos de manutenção Para ele, acidentes como os já citados acontecem por uma sucessão de erros. O primeiro é não estar atento ou não dar atenção ao primeiro sinal de que algo está errado. Além disso, tentar resolver sozinho ou sem um acompanhamento profissional,
pode ser um erro fatal. “Tem muita gente que gosta de ‘dar um jeitinho’, mas têm certas coisas que só um profissional habilitado vai poder resolver. Pode até custar caro, mas o benefício para o condomínio vai ser imenso e incalculável, pois vai trazer segurança e tranquilidade a todos. Além disso, o síndico deve compartilhar a necessidade do reparo e os orçamentos imediatamente com os condôminos, pois eles precisam saber de tudo o que acontece no condomínio. Claro, é preciso informar tudo sem alardes e mostrando que o síndico tem a situação sob controle”, completa.

Mas nem sempre a solução é tão simples. Síndico do Condomínio do Edifício
Michelozzo, localizado na Barra da Tijuca, dentro do Novo Leblon, José Luiz Brandão está prestes a iniciar a substituição de todo o sistema elétrico das áreas comuns do prédio, que possui ao todo 160 unidades. A decisão foi tomada após a constatação de uma necessidade de alterações para que o condomínio possa se modernizar e também se encaixar na Lei Municipal da Autovistoria Predial, em vigor desde 2013, que especifica uma série de regras de manutenção que devem ser seguidas por todos os condomínios da cidade do Rio de Janeiro.

“Nós estamos começando o projeto agora. Seis empresas participaram da
concorrência para modernizar o sistema elétrico do prédio, que tem quase 40 anos de construção. Vai começar ainda no primeiro semestre e durar aproximadamente seis meses”, explica ele.

O síndico lembra que, há 40 anos, quando o edifício foi construído, os apartamentos tinham um sistema elétrico direcionado para outras situações e para uma outra configuração de moradia. “Hoje, todo mundo tem ar-condicionado, diversos aparelhos e a demanda do sistema elétrico aumenta, sendo assim, você precisa direcionar cada unidade em função do aumento das demandas do consumo de energia, além das áreas comuns. Em 160 apartamentos, todos estarão 100% com o sistema trifásico, mais moderno e atual. Esta é a nossa expectativa”.

Para fazer o pagamento da obra, o condomínio teve que abrir uma cota extra para os condôminos ratearem entre todos as diversas parcelas do custo, que, para uma obra deste tipo, acaba saindo alto. “Fizemos uma condição melhor para que não pese tanto no bolso e no orçamento, mas os moradores sabem que é uma obra urgente e que precisa ser feita”, diz.

O engenheiro eletricista Rafael Oliveira explica que, normalmente, abrangem o sistema elétrico dos condomínios tudo o que está ligado às partes comuns como corredores, PUC, portaria, playground e elevadores. “Toda a parte de uso comum do prédio é de responsabilidade do condomínio, sempre com o seu consumo separado das unidades privadas. Além de evitar incêndios e descargas elétricas, o bom funcionamento desse sistema evita ainda o desperdício de energia”, aponta ele, que completa: “É preciso sempre estar atento a esta área, pois ela pode oferecer, inclusive, riscos à infraestrutura geral do condomínio”.

O profissional lembra ainda que, os avanços tecnológicos atuais e o aumento da quantidade de aparelhos elétricos oferecidos à população, seja para uso prioritário ou para conforto, consequentemente, trouxe um aumento de consumo para as unidades residenciais. “Normalmente, são raras as atualizações do projeto de elétrica e das distribuições de rede ao longo dos anos nos condomínios. Bem como dos sistemas de ar nos prédios que possuem. Isso compromete a distribuição elétrica residencial e chega a comprometer o sistema de distribuição desses prédios, uma vez que a entrada de energia das concessionárias de energia é única”, informa.

Na dúvida, prevenir é sempre melhor do que remediar: “Negligenciar qualquer sinal de risco é absolutamente errado. Os acidentes e as tragédias estão aí para provar que os sinais jamais devem ser ignorados”, conclui o engenheiro.

Fonte:
http://revistasindico.com.br

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